domingo, 11 de julho de 2010

8/7 – De volta para casa (com 10º. desafio)

casa do Soummo, Sandton, Johanesburgo , 21h00
tempo: sol, céu azul, agora friol
bicicleta: km480, pneus furados: 2
fitinhas (número estimado e acumulado): 300
jogos presenciados no estádio: 10

hoje não teve jogo!

Embora eu tenha dormido no ônibus, estou com bastante sono. Vou dormir cedo.
Estou com aquela sensação gostosa de voltar para casa, depois de quase uma semana em Port Elizabeth... mas, peraí! – não voltei para minha casa ainda!
A atenção e o carinho com que este meu anfitrião Soummo tem me recebido fazem mesmo com que eu me sinta em casa!


Mais descidas
Foi bem tranqüilo o percurso entre a estação rodoviária de Johanesburgo e Sandton – deu para perceber que, apesar das subidas e descidas, predominam as descidas. Em vez da hora e meia estimada, gastei menos do que uma hora!


Mudança
Finalmente, depois de quase 2 meses morando aqui, o Soummo recebeu as caixas com a mudança dele – roupas, utensílios domésticos, peças de decoração, computador, livros, discos...
Dei uma ajuda, desembrulhando copos e objetos.
Saldo das 3 caixas que desempacotei: um elefante de mármore e 3 taças de cristal quebradas!


10º. DESAFIO
Vale outro brinde:
Hoje conheci, na rua, um simpático moçambicano cujo nome (segundo ele, não tão raro em Moçambique) é bem curioso: tem... 26 letras!
Como ele se chama???
Sua resposta: __ __ __ __ __ __ __ __

7/7 - Fizemos as pazes!

ônibus Port Elizabeth->Johanesburgo , 22h30
tempo: sol, céu azul, agradável
bicicleta: km460, pneus furados: 2
fitinhas (número estimado e acumulado): 300
jogos presenciados no estádio: 10

Alemanha 0 x 1 Espanha

Acabo de ouvir, no rádio, no ônibus que está me levando de volta para Johanesburgo, o final do jogo em que a Espanha eliminou a Alemanha, e chegou à final da Copa. Não gosto de torcer contra ninguém... mas fiquei feliz – a Alemanha não vai ser tetra, e, por enquanto, o Klose ainda não passou o Ronalducho!
Apesar da derrota do Brasil, vou guardar uma ótima impressão de Port Elizabeth. Depois do frio de ontem, o tempo hoje voltou a ficar muito bom – aproveitei para fazer um delicioso passeio de despedida pela orla.
Até o embarque da bicicleta, desta vez, foi bem tranqüilo – o motorista da Rodolink – uma outra empresa que eu ainda não tinha experimentado – me mostrou uma tabela com a tarifa para o transporte de bicicletas... ou seja, desta vez, nem foi preciso apelar para o tal “jeitinho” $ul-africano!





bancos à beira-mar, muito agradáveis para admirar a vista

barraca da feirinha de artesanato, na beira da praia

Biblioteca Municipal de PE, um dos prédios mais bonitos da cidade


o farol e a pirâmide, construída pelo viúvo da Elizabeth

Compras

No meu passeio pela orla, passei por uma espécie de “feirinha” de artesanato típico da África.
Mesmo sendo péssimo negociante, consegui um precinho bom... e comprei umas lembrancinhas para serem distribuídas no Brasil.

Acidente

Resolvi experimentar filmar um trecho do meu passeio. Cineasta principiante, fiquei olhando para o visor da câmera em vez de olhar para a frente... e bati numa guia! Não cheguei a cair da bicicleta... mas os dentes da catraca fizeram um belo corte na minha perna!

Inverno x verão

A orla de Port Elizabeth é mesmo muito agradável... especialmente os bancos bem em frente ao mar.
Não tinha quase ninguém na praia, mas, segundo um morador, no verão a praia fica bem cheia – os hotéis enchem de turistas, daqui e do exterior. E faz calor – segundo ele, a temperatura costuma chegar a 35º!

Manuele

Vim embora sem me despedir do Manuele – eu pensei que ele fosse o gerente do hotel em que fiquei, mas, na verdade, ele é filho do dono! Veio da Itália a menos de um ano – acho que para dar um jeito no hotel, que andava meio mal cuidado. Uma figuraça o Manuele – me deu muita atenção, e me fez um belo desconto: no último dia, cobrou-me apenas R$25,00!

Explicação para a derrota do Brasil

Meu amigo Gilson me mandou uma curiosa explicação para a diferença do desempenho do Brasil no primeiro e no segundo tempo do jogo contra a Holanda.
O dia 2/7, data do jogo, foi exatamente o 183º. dia do ano. Ou seja, o meio-dia desse dia marcou exatamente a metade do ano de 2010. Portanto, o primeiro tempo do jogo, iniciado às 11h, foi disputado ainda no primeiro semestre de 2010. Já o catastrófico segundo tempo, iniciado pouco depois do meio-dia, foi disputado no segundo semestre.
Será que, por essa teoria, tudo o que ocorrer neste segundo semestre – a eleição presidencial, inclusive – será ruim para o Brasil???

6/7 - Relações estremecidas

FanFest do St.George’s Park, Port Elizabeth, 22h30
tempo: nublado, muito frio, muito vento
bicicleta: km440, pneus furados: 2
fitinhas (número estimado e acumulado): 290
jogos presenciados no estádio: 10

Uruguai 2 x 3 Holanda

Que pena! O Uruguai lutou muito, mas acabou eliminado pela Holanda, que chega à final ao conseguir sua sexta vitória em seis jogos, ameaçando igualar os feitos do Brasil em 1970 e em 2002 (100% de vitórias).
Acho que eu era o único torcedor do Uruguai aqui neste gelado FanFest.
Por causa desse resultado, e principalmente por causa do dia feio e frio, minha tumultuada relação com Port Elizabeth acaba de sofrer um forte estremecimento




festa holandesa - no campo (na Cidade do Cabo) e na fria FanFest do Parque São Jorge (em Port Elizabeth)

Torcida de rúgbi
Aparentemente, boa parte do pessoal daqui da África do Sul que torce para a Holanda é descendente dos holandeses que, por alguns anos, dominaram o país... e muitos deles parecem não entender muito de futebol. São, provavelmente, fãs de rúgbi.
Nesse esporte, as partidas se encerram quando zera o cronômetro – como no basquete, por exemplo. Todos sabemos que, no futebol, é o árbitro que decide quando o jogo acaba. No jogo entre Uruguai e Holanda, quando o reloginho da TV estava chegando aos 93minutos – foram dados 3min de acréscimos – o pessoal começou a fazer a contagem regressiva. Ao chegar ao zero, quase todo o mundo começou a pular, festejando os 3x2 da Holanda... mas o árbitro fez o jogo continuar por quase 2min mais!
Uma pena que o Uruguai não tivesse conseguido empatar... só queria ver a cara desses torcedores de rúgbi...

Boa memória
A vendedora da loja de conveniências onde costumo comprar o jornal se chama... Memory! Acho que nunca vou esquecer o nome dela!

Filmagens
O Alessandro e o Beto, do Ministério do Turismo, fizeram umas filmagens colhendo depoimentos dos motoristas dos ônibus da FIFA que estão hospedados no hotel – eu atuei como intérprete.
Dois dias antes, em conversas comigo, muitos tinham se mostrado descontentes com o salário, com o hotel e com o tratamento que lhes tem sido dado pela FIFA. Curiosamente, diante da câmera, a conversa mudou – foram quase que só elogios, principalmente à organização da Copa e ao povo sul-africano.

5/7 - O Pai do Brazil!

bar Zanzibar, Port Elizabeth, 20h00
tempo: sol, céu azul, agora agradável
bicicleta: km435, pneus furados: 2
fitinhas (número estimado e acumulado): 290
jogos presenciados no estádio: 10

não teve jogo

No passeio de ontem, acabei perdendo o cabo elástico que amarra a mochila no bagageiro da bicicleta. Fui comprar outro no Green Acres, um gigantesco shopping aqui de Port Elizabeth, onde encontrei com o Alessandro e o Beto, do Ministério do Turismo. No fim da tarde, subimos no alto do farol próximo ao hotel, de onde o Beto fez belas fotos do pôr-do-sol.
Agora estamos jantando no Zanzibar - um gostoso barzinho, na Parliament street, centro da cidade.
O ponto alto do dia foi ter conhecido o Jani, o pai do Brazil!
À medida em que o tempo passa, a derrota para a Holanda vai ficando para trás, e PE vai ganhando cada vez mais simpatia em meu coração.



Jani e seu diploma brasileiro
Jani, o pai do Brazil; Victoria, a mãe do Brazil; e Blessing, o irmão do Brazil

Brazil e seu filho Daniel


alguns dos 53 motoristas de ônibus contratados pela FIFA, hospedados em Port Elizabeth - eles preferiam dirigir a bicicleta



Motoristas
Aparentemente, todos os torcedores do Brasil e da Holanda que estavam hospedados no meu hotel foram embora. Ficaram apenas 53 motoristas contratados pela FIFA, que permanecerão até sábado, sem nada para fazer até lá, aguardando a disputa do terceiro lugar, que será aqui. Os ônibus estão todos estacionados perto da praia.
Um dos motoristas, o Graham, está chateado. Disse-me que a FIFA está desperdiçando dinheiro, e que, em vez dos prometidos 15 mil Rand mensais, durante os 4 meses do contrato, estão pagando apenas 5 mil Rand. Sua maior preocupação, porém, é com o futuro – depois do final da Copa, os contratos se encerram, e ninguém tem emprego garantido.

O pai do Brazil
Jani Simulambo, nascido na Zâmbia, tem 56 anos. É casado com Victoria, com quem tem 7 filhos e 2 netos. Há 10 anos, mora em Port Elizabeth.
Jani foi jogador profissional de futebol de 1970 a 1984. Entre 1976 e 1982, defendeu a seleção nacional de seu país, da qual foi capitão. Dois de seus ex-companheiros de time foram, depois, da comissão técnica da Seleção de Zâmbia, e faziam parte da delegação que foi vitimada por um acidente aéreo, no qual todos morreram. Esses seus ex-companheiros aparecem, junto com Jani, numa foto da Seleção de Zâmbia, tirada momentos antes de uma partida contra o Egito, na qual também aparece o então presidente da FIFA, o brasileiro João Havelange – que Jani considera um grande benfeitor do futebol africano.
Atualmente, Jani trabalha como treinador da equipe B do Bay United, o único time de futebol profissional de Port Elizabeth, que, por causa da péssima campanha no último campeonato da África do Sul (foi o penúltimo colocado da segunda divisão), corre o risco de ser extinto – mesmo apesar do novo e belo estádio da cidade, construído especialmente para a Copa de 2010.
Embora correndo o risco de ficar sem emprego, Jani não teme por seu futuro. Ele se apega ao seu diploma que comprova que freqüentou um curso para técnicos estrangeiros, de 5 a 26 de março de 1996, no Rio de Janeiro. Jani afirma que, com esse diploma, ele tem trabalho garantido, seja na África do Sul, seja em Zâmbia, ou em outros países africanos.
Jani é apaixonado pelo Brasil e pelo futebol brasileiro. Essa paixão é tão grande que, em 1982, durante a Copa da Espanha, seu segundo filho, nascido em 15 de junho daquele ano, recebeu o nome de “Brazil”. Esse fato foi até notícia de um jornal de seu país, cujo recorte ele guarda com carinho. Diz a notícia, publicada em 18/6/82:
“O meio-campista Jani Simulambo, estrela da Seleção de Zâmbia e um grande amante do futebol brasileiro, deu a seu segundo filho, nascido na terça-feira, o nome de Brazil, em homenagem àquele país.
Simulambo, em meio a sorrisos, disse que ele vê o Brasil como uma poderosa nação futebolística, que certamente chegará às finais da Copa do Mundo.”
Atualmente, Brazil tem 28 anos, e é zagueiro do Bay United. Com a iminente extinção de seu time, foi fazer testes visando uma transferência para o Africa Wanderers, time de Durban. Embora sempre tenha atuado na África do Sul, ele não esconde o desejo de ser convocado para defender a Seleção Nacional de Zâmbia, seu país de nascimento, e ainda sonha ser contratado por algum time europeu.
Brazil diz que gosta de seu nome, sente-se até orgulhoso por ele, e que nunca foi alvo de comentários ou brincadeiras de seus amigos – ao contrário, alguns o invejam pelo nome que tem. Seu pequeno filho, porém, nascido a 8 meses, se chama Daniel.
Victoria, a mãe de Brazil, confessa que foi surpreendida pelo desejo do marido de dar a seu segundo filho esse nome. Mas ela logo aceitou, pois, como Jani, é também grande admiradora do futebol brasileiro.
Jani já decidiu que, em 2014, estará no Brasil para acompanhar de perto a Copa do Mundo. Comovido, ele deu a seguinte resposta, quando lhe perguntei o que ele acha do Brasil:
“Brasil... Eu não gosto do Brasil, eu amo o Brasil! Todo o meu corpo – meus ouvidos, meus olhos, todas as células do meu corpo são Brasil! – meu sangue é Brasil! É isso que eu posso dizer. Esse povo é maravilhoso. Na próxima Copa do Mundo, sem nenhuma dúvida, o Brasil vai ganhar!”

4/7 - Passeio ciclístico até Recife–PE

shopping Boardwalk, Summerstrand, Port Elizabeth, 22h00
tempo: sol, céu azul, agora agradável
bicicleta: km420, pneus furados: 2
fitinhas (número estimado e acumulado): 290
jogos presenciados no estádio: 10

não teve jogo

Neste gostoso shopping a céu aberto, ao redor de um lago e bem em frente à praia, acabo de jantar uma pizza na agradável companhia de 3 divertidos escoceses: o Andy, o Luther e o Dave, que conheci quando fui ver Paraguai x Nova Zelândia, em Polokwane.
Fui um dia delicioso – um passeio de bicicleta pela praia, até o cabo Recife, ponto extremo da orla de PE.
Começo a achar que vou acabar gostando de Port Elizabeth...




a ciclovia e área de estacionamento com sanitários - à esquerda, um painel com explicações sobre a vida marinha (no caso, detalhes sobre golfinhos)

a passarela de madeira, sobre as dunas

o farol do cabo Recife, em PE

Kings Beach - a praia dos reis de Port Elizabeth



Bênção

Em frente ao hotel em que estou hospedado, há uma igreja. Logo após o café da manhã, fui até lá, e acompanhei o finalzinho da missa. Na saída, os fiéis foram cumprimentar o padre. Fui também, me apresentei... e o padre se ofereceu para me abençoar – pedi que ele estendesse a bênção a todos os meus familiares e amigos do Brasil!

PE

Port Elizabeth tem esse nome porque há aqui um porto, e porque Elizabeth era o nome da esposa de um certo duque que era o dono do pedaço – quando ela morreu, ainda bem jovem, ele construiu uma pequena pirâmide em sua homenagem.
A maioria do pessoal daqui, porém, se refere à cidade como PE (“pi-i”) – da mesma forma que Belo Horizonte é BH para a maioria dos seus moradores.
PE é também chamada de “Friendly City”, pela hospitalidade de sua gente, ou ainda de “Windy CIty”, por causa do vento – que, hoje, até que quase não apareceu.
Para complicar ainda mais, atualmente a região metropolitana (que engloba também as cidades de Dispatch e Uitenhage) está sendo chamada de “Nelson Mandela Bay” – referência à baía que homenageia o mais famoso filho do estado de Eastern Cape.

Recife – PE

Sob um sol gostoso e um céu bem azul, fiz um agradável passeio pela orla – com direito a 1km pela areia da praia. Fui até o cabo Recife, onde fica um antigo farol, e cujo nome foi dado pelos navegadores portugueses que por aqui passaram – há de fato muitas pedras na praia, que tem um visual parecido com a “Veneza brasileira”!
Ou melhor... como dizia o meu pai, Veneza é que deve ser chamada de a “Recife italiana”!

Algoa FM

Assim como Pretória, que tem uma rádio chamada “Jacaranda FM”, PE também tem uma rádio com nome que nos é familiar – a "Algoa FM", referência a uma baía assim chamada pelos portugueses por causa de uma lagoa aqui existente – o mesmo motivo que deu o nome ao estado de Alagoas.
Recife... Algoa... ó xênti, será que mudaram o nordeste para cá?

Pedaladas nas dunas

Na ida até o cabo Recife, pedalei por uma ciclovia. Mas, na volta, passei por uma passarela de madeira construída sobre as dunas da praia. Não são dunas muito grandes... mas foi bem divertido poder estar com a bicicleta no alto delas!

O depoimento de Andy

Andrew Heddle, o Andy, 35 anos, é escocês, e mora em Aberdeen, onde trabalha numa empresa petrolífera, como engenheiro, na área de certificação de qualidade. Está na África do Sul acompanhando a sua primeira Copa do Mundo, com mais dois amigos de sua cidade, mesmo com seu país não tendo se classificado nas eliminatórias.
Como quase todo escocês, Andy torceu contra a Inglaterra, e esteve presente no jogo em que os ingleses foram eliminados pelos alemães, em Bloemfountein. Perguntado sobre o gol de Lampard que não foi concedido pelo árbitro daquela partida, ele respondeu, bem-humorado, que não viu nenhum gol, ao mesmo tempo em que levou as mãos aos olhos, tampando-os.
Para ele, dentre os quatro semifinalistas, a Alemanha é a grande favorita. Vestindo uma camiseta dessa seleção, ele acaba de me fazer este simpático depoimento, que comprova sua grande admiração pelo Brasil e pelo futebol brasileiro:
“Venho da Escócia, Grã-Bretanha, Europa. Futebol, para nós, é representado pelo Brasil. Brasil é futebol, Brasil é o máximo em futebol, Brasil é o melhor no futebol. Para nós, quando pensamos em futebol, pensamos em Pelé, pensamos em Zico, pensamos no Maracanã, pensamos naqueles grandes jogadores brasileiros, naquele bonito uniforme amarelo, verde e azul, pensamos em tudo o que é o Brasil. O Brasil, para nós, é futebol, é o ritmo do samba, são as garotas bonitas, são as praias, é o Rio de Janeiro, Pão de Açúcar... Se alguém me dissesse: ‘Se você só pudesse ir a mais uma Copa do Mundo em toda a sua vida, poderia ser na Inglaterra, França, Japão, Coreia do Sul, Austrália, África do Sul... ou no Brasil...’ Teria que ser no Brasil! Brasil é futebol! Brasil é o lugar para onde eu quero ir em 2014! É para lá que eu vou!”

terça-feira, 6 de julho de 2010

3/7 – “The day after”

Hotel Smart Accommodation, Port Elizabeth, 23h30
tempo: sol, céu azul, agora agradável
bicicleta: km392, pneus furados: 2
fitinhas (número estimado e acumulado): 280
jogos presenciados no estádio: 10

Argentina 0x4 Alemanha
Paraguai 0x1 Espanha

Um raro dia sem distribuir fitinhas...
Não dormi direito. A derrota de ontem ainda machuca.
E, para incomodar ainda mais, o alemão Klose fez mais 2 gols, e está a apenas 1 do Ronalducho.
Só que ele ainda deve ter mais 2 partidas para disputar nesta Copa.
Também fiquei triste pela Argentina. Único consolo: Maradona não vai desfilar pelado pelas ruas de Buenos Aires!!!


enfeites luminosos de Port Elizabeth

criançada jogando bola - a verdadeira integração entre brancos e negros

FanFest: telão, palco para shows, e muito espaço para os patrocinadores

Desânimo total
De manhã, fiquei sem vontade de sair da cama. Não tinha ânimo para nada.

Pedaladas reanimadoras
Criei coragem, e fui dar uma voltinha de bicicleta. Vi num mapa que aqui perto tinha um parque, o St.George's Park! Isso mesmo: Parque São Jorge, de tantas glórias e tradições. Fui lá conferir. Depois dei uma volta em torno do parque, ouvindo a narração dos gols alemães contra a Argentina.
Fui também a um antigo forte, o Frederick, de onde se tem uma bonita vista do porto. Lá encontrei alguns engenheiros e técnicos da TV Globo, que aproveitavam um dos poucos momentos de folga – com a derrota de ontem, alguns iriam até antecipar a volta para casa. Mas deu para perceber que, apesar das saudades, eles prefeririam ficar até a final.

A janta do sábado!
Deu fome – já era noite, e eu só tinha comido um pão com ovos no café da manhã. Sábado – nada melhor do que uma pizza, que devorei, inteirinha, no quarto do hotel!

Parque São Jorge
O tal St.George's Park é bem interessante. Nele há um estádio de críquete, onde foi instalado o FanFest de Port Elizabeth – telão, palco para shows, bares, lanchonetes, banheiros... e muito espaço para propaganda dos patrocinadores da Copa... e algumas crianças jogando bola no gramado.

2/7 - Perdemos...

Hotel Smart Acommodation, Port Elizabeth, 23h30
tempo: sol, céu azul, agora agradável
bicicleta: km390, pneus furados: 2
fitinhas (número estimado e acumulado): 280
jogos presenciados no estádio: 10

Holanda 2x1 Brasil
Uruguai 0(4)x(2)0 Gana

Estou muuuito triste. No meu 20º jogo do Brasil numa Copa, pela primeira vez presenciei uma derrota – até aqui, tinham sido 17 vitórias e 2 empates, com vitórias nos pênaltis. E essa derrota veio justamente para a Holanda – o adversário do primeiro e inesquecível jogo, aquele emocionante 3x2 em Dallas, em 1994.
Fico triste por todos os brasileiros para os quais o futebol é uma das coisas mais importantes em suas vidas – uma de suas poucas fontes de alegria. Fico triste pelos sul-africanos com quem diariamente encontro nas ruas, que não se cansam de expressar sua admiração e sua torcida pela nossa seleção – que decepção eles devem estar sentindo agora! E fico triste pelos meus sobrinhos, que estão numa idade parecida com a que eu tinha, quando o Brasil ganhou o tri no México!
Chorei muito no fim do jogo!
Nem sei direito como cheguei aqui no hotel. Antes de voltar, fui até um farol aqui perto, ao lado do qual foi construída uma pirâmide, por ocasião da Elizabeth que dá nome à cidade. Tirei umas fotos meio fúnebres da bicicleta – talvez elas representem bem o meu estado de espírito...



muuuuito triste...

gozação dos holandeses


o estádio Nelson Mandela Bay



estréia da bicicleta em jogos do Brasil - será que foi culpa dela???

Reencontro
Meu ônibus chegou mesmo antes que o da bicicleta. Tive que ficar esperando no escritório da empresa – a Greyhound – por mais de uma hora. Felizmente, a bicicleta chegou, sã e salva, conduzida pelo já amigo Ryan.

Dividindo o quarto
Nesse meio tempo, me informei sobre o local do Smart Accommodation, o hotel com o qual tinha feito contato telefônico na véspera, e conheci o Marcelo, advogado de São Paulo, que veio para a África do Sul com a Ceisa, sua namorada, e a Amanda, sua filha. Como eu, ele está curtindo sua quinta Copa. Eles estavam sem acomodação – por isso, indiquei o mesmo hotel.
Chegamos quase juntos – eles, de táxi; eu, de bicicleta. O pequeno hotel estava cheio, lotado! O gerente, Manuele – um italiano – estava atrapalhado com tanta gente, tentando arrumar lugar para todos. Propôs que ficássemos, o Marcelo e eu, no mesmo quarto, e as moças em outro. Assim fizemos.
Eles tomaram um banho e logo saíram para o estádio, pois tinham 2 ingressos extras para tentar vender. Eu ainda demorei um pouquinho, dei uma volta no quarteirão – e fui pedalando para o estádio!

Estréia infeliz
Eu já tinha ido a jogo do Brasil na Copa de bicicleta. Fui a um na França, e a outro na Coreia – em ambas as ocasiões, eram bicicletas alugadas.
Foi a primeira vez que fui com minha própria bicicleta. O Brasil perdeu... Será que foi por isso???
Dunga
Eu estava totalmente contra o Dunga, por ele não ter convocado o Ronaldinho Gaúcho, o Ganso e o Neymar. Achei um absurdo aqueles 2x1 na Coreia do Norte – um resultado ridículo, culpa da convocação e do esquema de jogo do Dunga!
Mas achei o primeiro tempo contra a Holanda fantástico! O Brasil jogou muito bem, deu pinta de campeão! No intervalo, estava super animado – achando até que poderíamos ganhar com facilidade!
Talvez o Dunga não fosse tão incompetente quanto eu pensava...

Caixinha de surpresas
Perdemos – e não foi por causa do Dunga. Acho que os holandeses deram muita sorte naquele primeiro gol – uma falha justamente no setor mais forte do time: goleiro e zagueiros de área! E, no segundo gol, aconteceu algo incrível: o time do país dos homens mais altos do mundo fez um gol num escanteio, de cabeça... de um baixinho (Sneider)!!!
O futebol é uma caixinha de surpresas!

Barcelona, Frankfurt, Port Elizabeth...
Nunca fui a Barcelona. Todo mundo que esteve lá fala maravilhas da cidade. No dia em que eu lá estiver, acho que vou sentir uma pontinha de mal-estar. Foi em Barcelona – no estádio de Sarriá, que já foi demolido – que ocorreu a derrota que mais me machucou – aquele Brasil 2x3 Itália, em 1982 – e que quase me fez desistir de gostar de futebol. Até hoje torço contra o Espanhol – o time que era o dono daquele estádio!
Frankfurt é uma importante cidade da Alemanha – é lá que fica o principal aeroporto do país. Mas foi lá que o Brasil perdeu da França, na Copa passada – também não gosto de Frankfurt!
Acho que nunca vou gostar de Port Elizabeth!